Leandro Daher

Atenção !!! Estamos conectados.

conectados1Muitos criticam morar no Brasil. Eu não, na verdade acho uma benção morar em um país tropical e abaixo da linha do Equador onde não existem pecados, ou pelo menos não existia.

Sou da geração anos 80, ou seja, quando comecei a esboçar algumas ideias ou ideais, o Brasil também já era livre para ouvi-las. Não tive muito com o que me preocupar, nada muito além de receber um NÃO, afinal a censura era imposição de outros tempos.

O rápido processo de politização dentro de uma esquerda que nascia e crescia em progressão geométrica me fez “enxergar” o País em busca do SIM. Era proibido proibir. O censurar era censurado. Formou-se uma geração que acabara de ganhar a maioridade e sair da casa dos pais, ou melhor, a geração do vamos festejar agora e pensar depois.

Um erro. A minha geração mesmo tendo crescido com a possibilidade da pluralidade partidária, dela não tomou parte. Hoje depois de mais de três décadas do final da Ditadura, temos uma luta para enfrentar sem saber ao menos como lutar.

Aqueles que de alguma forma, migraram para o mundo virtual (que se faz bastante real), hoje são os que comandam o engajamento político no País. Não importa como, as novas lideranças, formas de protesto, ou mesmo as defesas de uma bandeira nascem primeiramente nas páginas das redes sociais.

Falo isso, porque ao comentar no balcão do bar, comendo uma coxinha feita por um japonês, cito o caso do Dep. Marco Feliciano, alguns recriminam, outros apoiam, mas a unanimidade  usa do argumento “Política e religião não se discute” e matam a discussão com uma única “paulada”.  ERRO CRASSO.

Não quero aqui olhar o lado religioso e nem defender uma crença, exponho aqui o meu medo de uma polaridade apoiada nas coisas do Divino ou Mundanas, o PRETO e o BRANCO, sem ao menos pensar no cinza. A grande qualidade do Brasil  e o alimento da alegria dessa população que  sempre sorri, é termos o poder de escolher todas as variações de intensidades de tons, saindo do mais branco até chegar ao preto absoluto. Defendo sim um País livre, onde posso sentar em uma mesa com minorias, maiorias e intermediários.

Onde alguns religiosos ao me olharem em uma roda de amigos, não me acusarem de pecador, ou quiçá, criminoso. Um País livre é acima de tudo um País Laico. Laico no ponto do ESTADO não “privilegiar” de forma tacanha somente um segmento, de fazer o povo acreditar que votar neste ou naquele é obra do DIVINO e não uma escolha DEMOCRATICA. Portanto, daremos a DEUS o que é de DEUS, e o voto a quem merecer.

Add a comment

A Utopia dos Carnavais de outrora

grito da noite  carnaval   santana de parnaibaFim das festividades do MOMO. O Pierrot e a Colombina voltam ao meio da multidão sem ao menos sabermos quem eram.

O Carnaval Parnaibano este ano, foi DIFERENCIADO, mas não diferente.Não poderemos comparar nunca este carnaval, com os românticos carnavais de outrora, onde o casal real, XoXó e Jango acenavam para conhecidos, na nossa passarela do samba. Não, não teremos mais isso.

Em uma tentativa utópica de voltarmos aos tempos áureos, a Secretariade Cultura organizou de forma nobre uma reunião com os moradores do Centro Histórico (amantes ou não da folia) para decidir que rumos seriam tomados. Pobres mortais sonharam e foram alimentados com uma perspectiva infundada:A VOLTA DO VELHO CARNAVAL e nossa heroína seria sim a velha e boa MARCHINHA. No entanto,todos esqueceram que combinar com o Centro Histórico, não é combinar com toda região. Estamos na periferia de uma Região de altíssima densidade demográfica, além de sermos uma opção barata até para o menos abastados dos foliões.

Marchinhas são como velhas e sábias professoras, respeitadas apenas por aqueles que possuem cultura suficiente para entendê-las e admira-las, infelizmente não é o caso da nossa demanda (ou pelo menos uma parcela desses jovens foliões) cujo conhecimento não vai além de alguns ritmos tidos como “universitários”.

A velha senhora, sob pressão popularesca e capitalista, retirou-se e deu lugar a “Cumpádis e Sereias”, e levou em sua bagagem, o sonhado romantismo.

Daí em diante, deu-se uma sucessão de velhos clichês, permeados com algumas surpresas.
A substituição das latinhas de alumínio por copos plásticos apagou deste carnaval a palavra SUSTENTABILIDADE, tema recorrente em qualquer conversa de balcão de bar. Os copos foram abandonados pela cidade, diferente das latinhas eles não interessam ao coletor, trazendo assim um problema a mais para a Prefeitura. Em um lance de curiosidade, ainda no ano passado, jogamos uma latinha de alumínio no meio fio da rua, foram apenas alguns segundos, para a mesma ser recolhida, coisa que este ano não ocorreu. Perdeu a natureza, perdeu o catador que tem o carnaval como seu bônus salarial. Ganhou o comerciante esperto que
repassou o preço do copo para o folião e ainda por cima armazenou a latinha para vendê-las depois.

Agora, se teve um dia para se tirar o “palhete” foi a segunda-feira, essa sim animada, por marchinhas, trouxe por alguns instantes o carnaval familiar que era planejado e tão sonhado. O Grupo Alegria dos Koroas tem anos de experiência e estrada, trazem junto à parcela foliã que fazem das marchinhas a trilha sonora do seu carnaval.

Já na terça-feira não tivemos como identificar se ainda era CARNAVAL ou apenas uma RAVE embalada ao som do AXÉ. Triste.

Mas lá no fundo do terreiro, lá bem no fundinho, onde a temperada é passe para o transe, ouvia-se o coração parnaibano tocando, ritmado pelos bumbos e chocalhos, mostrou que o velho e o novo, quando respeitadas opiniões, convivem juntos harmoniosamente, e mostra que o chocalho acompanha sim, o som que a zabumba começou, assim ensinou HENRIQUE PRETO aos PARNAIBANOS DE ALMA E CORAÇÃO. E assim o faremos.

Texto: Leandro Daher

 

Add a comment

Artigos Relacionados

Assine Nossa Newsletter

Seu Email:

Seu Nome:


Quem Curti o ParnaíbaWEB

Login

copyright © 2007 - 2013 - www.parnaibaweb.com.br