A Utopia dos Carnavais de outrora

A Utopia dos Carnavais de outrora

grito da noite  carnaval   santana de parnaibaFim das festividades do MOMO. O Pierrot e a Colombina voltam ao meio da multidão sem ao menos sabermos quem eram.

O Carnaval Parnaibano este ano, foi DIFERENCIADO, mas não diferente.Não poderemos comparar nunca este carnaval, com os românticos carnavais de outrora, onde o casal real, XoXó e Jango acenavam para conhecidos, na nossa passarela do samba. Não, não teremos mais isso.

Em uma tentativa utópica de voltarmos aos tempos áureos, a Secretariade Cultura organizou de forma nobre uma reunião com os moradores do Centro Histórico (amantes ou não da folia) para decidir que rumos seriam tomados. Pobres mortais sonharam e foram alimentados com uma perspectiva infundada:A VOLTA DO VELHO CARNAVAL e nossa heroína seria sim a velha e boa MARCHINHA. No entanto,todos esqueceram que combinar com o Centro Histórico, não é combinar com toda região. Estamos na periferia de uma Região de altíssima densidade demográfica, além de sermos uma opção barata até para o menos abastados dos foliões.

Marchinhas são como velhas e sábias professoras, respeitadas apenas por aqueles que possuem cultura suficiente para entendê-las e admira-las, infelizmente não é o caso da nossa demanda (ou pelo menos uma parcela desses jovens foliões) cujo conhecimento não vai além de alguns ritmos tidos como “universitários”.

A velha senhora, sob pressão popularesca e capitalista, retirou-se e deu lugar a “Cumpádis e Sereias”, e levou em sua bagagem, o sonhado romantismo.

Daí em diante, deu-se uma sucessão de velhos clichês, permeados com algumas surpresas.
A substituição das latinhas de alumínio por copos plásticos apagou deste carnaval a palavra SUSTENTABILIDADE, tema recorrente em qualquer conversa de balcão de bar. Os copos foram abandonados pela cidade, diferente das latinhas eles não interessam ao coletor, trazendo assim um problema a mais para a Prefeitura. Em um lance de curiosidade, ainda no ano passado, jogamos uma latinha de alumínio no meio fio da rua, foram apenas alguns segundos, para a mesma ser recolhida, coisa que este ano não ocorreu. Perdeu a natureza, perdeu o catador que tem o carnaval como seu bônus salarial. Ganhou o comerciante esperto que
repassou o preço do copo para o folião e ainda por cima armazenou a latinha para vendê-las depois.

Agora, se teve um dia para se tirar o “palhete” foi a segunda-feira, essa sim animada, por marchinhas, trouxe por alguns instantes o carnaval familiar que era planejado e tão sonhado. O Grupo Alegria dos Koroas tem anos de experiência e estrada, trazem junto à parcela foliã que fazem das marchinhas a trilha sonora do seu carnaval.

Já na terça-feira não tivemos como identificar se ainda era CARNAVAL ou apenas uma RAVE embalada ao som do AXÉ. Triste.

Mas lá no fundo do terreiro, lá bem no fundinho, onde a temperada é passe para o transe, ouvia-se o coração parnaibano tocando, ritmado pelos bumbos e chocalhos, mostrou que o velho e o novo, quando respeitadas opiniões, convivem juntos harmoniosamente, e mostra que o chocalho acompanha sim, o som que a zabumba começou, assim ensinou HENRIQUE PRETO aos PARNAIBANOS DE ALMA E CORAÇÃO. E assim o faremos.

Texto: Leandro Daher

 

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