E o papo de boteco?

E o papo de boteco?

papo-de-botecoMuitos sabem o quanto sou apaixonado por tecnologia e seus derivados, mas infelizmente (e monetariamente impossível) não consigo acompanhar todos os lançamentos de gadgets que desejo e possuo mais do que necessito (mentira hoje são todos necessários). Tenho notado algo bastante recorrente nas famosas e intelectuais conversas de balcão que fez pensar que a tecnologia pode estar acabando com as calorosas discussões e consequentemente com a máxima “Vamos pegar mais uma”.

Há algum tempo atrás, discutir sobre filmes, músicas, séries e demais assuntos demandavam horas e mais horas, copos e mais copos e vários participantes que chegavam e saiam de um glorioso balcão. Agressivo para o fígado, mas ótimo para a memória.

Mas Leandro, onde você quer chegar ?

Explico, noto que (e de certa forma me incluo) as pessoas estão preguiçosas mentalmente. Hoje em outro tradicional balcão de bar, tudo é resolvido de forma precisa e rápida – com a resposta tão certeira quanto o golpe de um samurai -- e isso não tem nada haver com o nipônico proprietário do estabelecimento.

Culpa dos gadgets.

Ao iniciarmos mais uma rodada de cerveja, com ela surgem às dúvidas cinematográficas de um determinado filme, ano de lançamento, diretor e atores, essas coisas que testam nosso conhecimento cultural (O.O). E eis que antes de findar o primeiro copo, um dos nossos amigos saca do bolso um smartphone, acessa o IMDB e pronto...todas as informações estavam ali, foram somente lidas e não mais discutidas. Fim do assunto, a forma esterilizada da resposta, levou todos a notar a música que tocava em uma tv ali pendurada. Isso é The Who (um gole), não acho (outro gole), tem cara de THE SMITHS (outro gole)...sacado o celular, aproximado da tv...segundos depois...final de discussão...tínhamos a música, a banda, o álbum e o ano de lançamento, sem contar a possibilidade de adquiri-lo ali, naquele momento. Quão triste é isso. Nos tornamos todos preguiçosos mentais, não mais nos esforçamos para lembrar ou registrar a informação, hoje carregamos o mundo no bolso com todo o seu conhecimento. Resta-nos de forma saudosa ou mesmo difamatória falar da vida alheia, o que de certa forma nos aviva a memória, afinal comentar e lembrar que ciclano casou-se com fulana, quando ainda saia com beltrana, é o que nos restou. Acredito que falta muito pouco para o Google, o Bing ou mesmo um Facebook da vida, nos informar sobre isso de forma concreta, rápida e certeira.

Mas tudo bem, afinal de contas quando nos reunimos, todos querem levantar o dedo e apenas dizer uma coisa:

___ “Pega mais uma pra gente”.

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Mãe : Até agora no bar ?
Eu : Como você sabe ?
Mãe : Sua irmã me mostrou no celular dela.
Putz, simplesmente me esqueci de que ao chegar ao balcão, antes mesmo de pedir a cerveja, fiz um check-in no Foursquare.
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Agradecimento especial a Márcia Neiva (@spbutterfly) pela revisão e algumas sugestões que foram muito bem aceitas, trazendo uma coesão textual ainda maior.

 

Por Leandro Daher

 

 

 

 

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