Quando o CASA era minha casa

Quando o CASA era minha casa

Quando o CASA era minha casa

Na minha página de uma rede social fiz então a pergunta:
Tenho saudades dos bailes de Carnaval no CASA. E você do que sente mais saudades em Parnaíba? 

Diversas foram as respostas, mas quase em sua totalidade, concordaram comigo que também sentem saudades dos tempos dos bailes do CASA. Não vou aqui entrar em detalhes os quais desconheço e somente suponho, pois o “achismo” só funciona bem quando se aposta na loteria. Hoje quero relembrar momentos de quando o CASA ainda era como minha casa.

Era quase um ritual, tínhamos então um bom carnaval de rua, que claro, todo parnaibano curtia nem que fosse vendo ao longe. No meu caso e da minha turma, brincávamos realmente o carnaval, e o momento mais esperado era a ida aos bailes do Clube Atlético Sant’Anna. O ritual se iniciava com brincadeiras na rua, tomar um banho, alimentar-se e descer para o Clube.

Tenho na memória inúmeras passagens e divido agora algumas delas, na esperança que despertem as lembranças dos que, assim como eu, viveram esses momentos e para os mais jovens, quiça uma vontade.

Zezinho Scarpa e Fernanda Biscuola - CASACombinamos então de irmos todos fantasiados de FARAÓS, e com as fantasias devidamente compradas, na casa de uma amiga logo em frente, lá íamos nós para o famoso aquecimento. Aquecimento esse que durava até ouvirmos os primeiros acordes da então Banda do Marcião. A referida banda, não consigo até hoje descrever, afinal de contas eles agitavam a galera e entre uma marchinha e outra, o Marcião (vocalista) soltava um sonoro “Bota pra f...er!”. Todos, em um transe que muitas vezes era completo devido o “garapão do Bode” (proprietário do bar e inventor da bebida, sócio do Pacheco, seu irmão). A combinação perfeita da bebida com o talentoso vocalista levava a todos pedirem por um intervalo, pois a bebida facilitava as dancinhas, que misturavam desde o frevo e o maracatu, passando pelo samba e terminado em uma retomada de fôlego. E lá íamos nós para o bar, que era por si só uma segunda atração. A noite seguia com alegria, pontuada com algumas loucuras. Loucuras como as famosas rodinhas no meio do salão e porque não o desfile dos amigos levando no colo entusiasmadas senhoras, que no breque da marchinha eram jogadas para cima, fazendo a alegria delas e mais ainda daqueles que presenciavam tudo, alguns sem esconder o espanto.

Os bailes possuíam sim seus personagens e figuras carimbadas, onde me incluo juntamente com os meus primos,primas, amigas e alguns amigos. Sem dúvida uma das maiores atrações do baile, era o Seu Rafael. Essa figura emblemática sempre chegava ao baile acompanhado de diversas e belas garotas, entrava com todas, escolhia sua mesa e dizia de forma caricata, “Aí meu garoto!”. As meninas assim como o sexagenário acompanhante, eram também a atração da festa. Isso acontecia durante os 4 (ou 5 dias se contada a sexta) dias de folia, quando Momo em Parnaíba era feliz e não sabia.

Ao fim do baile, ao raiar do sol, íamos em grupos e quase a totalidade dos foliões, comer um lanche na Padaria Aurora, que em sua chapa, já tinha à nossa espera, diversos Mistos Quentes. E assim, Parnaíba descansava para o outro dia sob o Reinado do Momo. Nosso ritual se repetia até a terça-feira, quando ao término do último baile do ano, a banda que nos alegrava dava uma volta nas ruas do Centro Histórico e muitas das vezes, seus músicos, nos acompanhavam no balcão da Aurora.

Quando o CASA era minha casaEssas histórias de um carnaval parnaibano, são histórias de quem viveu e vive Parnaíba. Nós, que achávamos que tudo duraria para sempre, éramos inocentes como ainda são as antigas marchinhas, onde o Pierrot chora pelo amor da Colombina, e as lembranças dos carnavais de outrora ficam marcadas na mesma máscara negra.

Fica aqui minha homenagem a toda equipe do CASA, desde a Maria do Som, Aury, ao Dú, passando pelos tantos presidentes, chegando ao Bode o Pacheco e inúmeros outros que contribuíram para o “nosso ritual”. A vocês meu muito obrigado, por fazerem da minha adolescência algo prazeroso de ser relembrado. Aos que não viveram, fica um registro e um pouco da lembrança.

 

 

Texto: Leandro Daher

 

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