O ministro Alexandre de Moraes, do STF, mandou o senador Flávio Bolsonaro (PL) entregar o passaporte e proibiu-o de ter contato com o empresário e advogado Willer Tomaz. A decisão faz parte de investigação sobre suspeita de lavagem de dinheiro com apostas, caso em que os dois são investigados.
A decisão corre em segredo de justiça e foi divulgada pelo próprio senador nas redes sociais. Por isso, o conteúdo vem do relato dele, e não de um documento público.
A Polícia Federal intimou o senador na segunda-feira (26).
As reportagens divergem em alguns pontos. Uma versão diz que a decisão manda entregar, em 24 horas, os passaportes comum e diplomático (o de viagens a serviço do governo) e proíbe Flávio de deixar o país. Outra diz que a decisão cancela o passaporte brasileiro e manda entregar em 24 horas documentos de viagem de outras nacionalidades, e não menciona a proibição de sair do país. Uma terceira diz que ele deve entregar os passaportes à PF e está proibido de deixar o país, sem informar prazo.
Flávio responde a dois inquéritos no STF. Um apura suspeita de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, e Tomaz também é investigado nesse caso. O outro apura suspeitas ligadas ao pedido de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. O caso das apostas está com Moraes. As suspeitas estão em investigação e não significam condenação.
A PF investiga possíveis movimentações financeiras irregulares. Um dos elementos citados é uma conta ligada à empresa Alcazar Holdings, em que Flávio aparecia como usuário master, com acesso ampliado. Isso não prova, por si só, que ele usou a conta. A defesa de Tomaz nega que Flávio tivesse esse acesso à conta e diz que os dois são apenas amigos, sem movimentação financeira entre eles. Na sexta-feira (23), Moraes bloqueou até R$ 6 bilhões em bens e valores ligados a Tomaz. Esse é o teto do bloqueio, e não o dinheiro que já foi encontrado.
Em vídeo nas redes sociais, Flávio disse que foi abordado pela PF ao sair de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Segundo ele, a decisão foi tomada na noite de domingo e levou em conta uma declaração do irmão Eduardo Bolsonaro, que defendeu que Flávio deixasse o país caso perdesse a disputa pela Presidência. O senador afirmou que nunca pensou em sair do país e classificou a medida como tentativa de intimidação.
A defesa de Willer Tomaz disse que as medidas são desproporcionais, ou seja, exageradas, e que o valor do bloqueio não corresponde ao patrimônio dele. Até agora, a defesa de Flávio não se pronunciou além do vídeo do próprio senador.
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Imagem da capa: Joédson Alves/Agência Brasil.

