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Tornado atinge Chapecó e danifica aeroporto

Um tornado atingiu Chapecó na manhã de 4 de novembro. A Defesa Civil confirmou o fenômeno, e a prefeitura decretou emergência de 180 dias.
Vista aérea do aeroporto de Chapecó com avião no pátio e destroços de telhados espalhados pelo estacionamento e pelas vias
Telhas e estruturas arrancadas ficaram espalhadas ao redor do terminal do aeroporto.

Um tornado atingiu Chapecó, no Oeste catarinense, na manhã de quarta-feira, 4 de novembro. A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a passagem do fenômeno pela análise do radar meteorológico. A prefeitura decretou situação de emergência por 180 dias.

Segundo o relatório técnico da Defesa Civil municipal, o vento chegou a 126,4 km/h. Uma estação do Inmet na cidade registrou 126 km/h, enquanto a estação estadual marcou 93 km/h. O órgão classificou o evento como tempestade local com danos compatíveis com tornado, e não como vendaval linear.

Os danos apareceram nos bairros Quedas do Palmital, Palmital, Palmital dos Fundos, Seminário e Universitário. Telhas e coberturas metálicas foram arrancadas e retorcidas, árvores caíram sobre vias e a rede elétrica foi afetada. Até quinta-feira, 5 de novembro, a Defesa Civil tinha registrado 2.478 ocorrências, com falta de energia e ruas bloqueadas.

No Aeroporto de Chapecó, parte da estrutura foi arrancada pelo vento. Hangares do Aeroclube de Chapecó e a sede da Polícia Civil, que abriga aeronaves usadas no serviço de fronteira, também foram atingidos. As operações ficaram suspensas por tempo indeterminado. Um passageiro que estava em um avião prestes a decolar relatou pânico durante a passagem do tornado.

Os danos também atingiram escolas e unidades de saúde. Em 5 de novembro, equipes municipais faziam vistorias e prestavam assistência às famílias.

A Defesa Civil acompanha a modelagem numérica, que indica a possibilidade de nova instabilidade com potencial de severidade na madrugada e na manhã de sábado, 7. O órgão também pretende usar drones para mapear os danos assim que o tempo permitir.

Como ajudar à distância

Quem está fora de Chapecó pode contribuir por Pix com a campanha Ajude Chapecó e Região, divulgada pela prefeitura. O Centro Empresarial de Chapecó recebe as contribuições e compra os itens solicitados pelo município para atender as famílias atingidas. Os dados para doar estão no comunicado oficial.

A Cáritas de Santa Catarina, a Arquidiocese de Chapecó e a CNBB Regional Sul 4 também recebem doações por Pix pela campanha SOS Oeste Catarinense, que apoia famílias atingidas em Chapecó e Xanxerê.

Como se forma um tornado

Quase todo tornado forte nasce dentro de uma supercélula, uma tempestade isolada que gira em torno de si mesma. Para isso, costumam aparecer três ingredientes juntos. O primeiro é o ar quente e úmido perto do chão, que alimenta a tempestade. O segundo é o ar mais frio e seco em altitude, que faz a nuvem crescer com força. O terceiro é o cisalhamento do vento, quando a velocidade e a direção do vento mudam com a altura.

Quando uma corrente de ar que sobe com muita força encontra esse cisalhamento, ela pode inclinar um eixo horizontal de rotação e transformá-lo em uma coluna que gira na vertical. A rotação formada dentro da nuvem recebe o nome de mesociclone. Uma nuvem de parede e um funil podem se formar sob a tempestade. O tornado ocorre quando a coluna de ar em rotação alcança o solo, mesmo que o funil visível não chegue até lá.

Infográfico sobre como se forma um tornado, seus tipos e a escala Fujita de F0 a F5
A escala Fujita classifica tornados de F0 a F5 pelos danos que deixam.

Tornados e outros fenômenos de vento

  • Tornado de supercélula: é o tipo mais forte e o que mais causa destruição, pois nasce do mesociclone.
  • Tornado de linha de tempestade: costuma ser mais fraco e aparece em faixas de instabilidade ligadas a frentes frias.
  • Tromba d'água: é uma coluna de ar em rotação sobre a água. Algumas se formam em tempestades e podem avançar sobre terra.
  • Microexplosão: é uma descarga de ar que desce da nuvem e se espalha no chão. Não gira, mas pode derrubar árvores e telhados de forma parecida com um tornado.
  • Vendaval linear: é um vento forte que atinge uma faixa larga sem nenhuma rotação.

Como a força é medida

A escala Fujita, de F0 a F5, estima a intensidade de um tornado a partir dos danos que ele deixa. Nos Estados Unidos, a versão aprimorada, chamada EF, está em uso desde 2007. No Brasil, o Inmet também usa a escala Fujita para estimar a força dos tornados.

Em Chapecó, a Defesa Civil municipal classificou o evento como tempestade local com danos compatíveis com tornado, e não como vendaval linear. Como ainda não há uma avaliação de danos completa, a força do fenômeno em Chapecó ainda não foi estimada na escala Fujita. A nova vistoria com drones deve ajudar a definir isso.

Para acompanhar as condições no oeste da Grande São Paulo, veja a previsão do tempo em Santana de Parnaíba, Barueri e Cajamar.

Com informações de