O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, criticou nesta quinta-feira (29) a carta em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se apresentou como "o verdadeiro presidente eleito do Brasil". "Não gostei, não gostei", disse a jornalistas, antes de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão domiciliar. A visita foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da defesa de Bolsonaro.
Valdemar afirmou que levaria a Bolsonaro informações sobre a situação do partido e que "vai dar tudo certo".
O que diz a carta
A primeira versão do texto foi divulgada por aliados do senador. Depois, Flávio publicou em seu perfil uma nova versão, na qual se denomina "líder do Brasil". Na carta, ele aponta, sem apresentar provas, uma "fraude eleitoral" e responsabiliza o ministro Cristiano Zanin, do STF, pelo resultado da eleição, vencida por Lula.
O que aconteceu na votação
No domingo (25), às 16h57, Zanin prorrogou a votação até as 19h, depois de relatos de redução da frota de ônibus e de dificuldades de deslocamento de eleitores, principalmente em São Paulo e na Bahia. As campanhas dos dois candidatos haviam acionado o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para estender o horário. A de Lula pediu a extensão em todo o país, e a de Flávio, em cinco estados. Sem resposta da Justiça Eleitoral, a coligação do PT recorreu ao STF, em reclamação direcionada ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e distribuída a Zanin.
Apesar da prorrogação de duas horas, apenas 34,3 mil votos foram registrados depois das 17h. Lula venceu com mais de 4 milhões de votos de diferença.
Aliados em dúvida
Nas últimas 48 horas, aliados do senador passaram a questionar sua capacidade de liderar a oposição e criticaram as decisões de deixar o país e de divulgar a carta. Segundo relatos de bastidores, integrantes do PL demonstram preocupação com os reflexos sobre o partido. A avaliação é que a legenda precisa se afastar da ideia de que é golpista ou de que apoia medidas inconstitucionais. Em público, porém, políticos do partido relativizam o caso e dizem que Flávio saiu do país para se proteger do que chamam de "perseguição" do STF.
As decisões, segundo esses relatos, desmobilizaram a união da direita em torno do nome de Flávio e abriram espaço para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defender que a eleição é página virada e que é preciso discutir os rumos do país.
A passagem de Flávio pela Argentina e o cancelamento de seus passaportes pela Polícia Federal estão em outra matéria do ParnaíbaWEB.
Com informações de
Imagem: Joédson Alves/Agência Brasil.
- UOL Notícias, 29/10/2026

